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O Brasil parece um imenso bunraku, que não é palavrão mas o nome
daquele teatro de bonecos japonês em que figuras articuladas, do
tamanho de crianças, são manipuladas por pessoas vestidas de preto. Os
manipuladores estão sempre à vista mas, como estão cobertos de preto
dos pés à cabeça, inclusive o rosto, ficou convencionado que são invisíveis.
O bunraku nasceu em Osaka no século 17 e, a não ser pelo uso de
refletores elétricos, deve ser igual hoje ao que era no seu começo,
inclusive com as mesmas histórias reincidentes, todas passadas no Japão
medieval. Mudam as figuras, mas não muda mais nada. O bunraku
durou até hoje porque suas convenções nunca foram questionadas. As
reincidências do Brasil também dependem deste respeito tácito às
convenções do espetáculo. Ficou combinado que ninguém vê os
manipuladores em cena. No nosso caso, também só mudam os bonecos.
Vi, na mesma noite, partes da gravação da tal aula magna do Éfe
Agá em Brasília — excelente, por sinal, ainda mais levando-se em conta
que tudo aquilo era para explicar o Renan Calheiros — e da entrevista do
Collor ao Casoy. E fiquei pensando que o nosso bunraku tem uma
perversidade que o japonês não tem. Lá a artificialidade do que se vê em
cena é enfatizada. Quanto mais estilizada a apresentação, mais você tem
consciência do que precisou renunciar para aproveitá-la, da sua
cumplicidade no fingimento. No bunraku brasileiro querem que você
acredite na autonomia do boneco. As convenções do espetáculo que você
precisa respeitar são não apenas que os homens de preto não estão ali,
mas que os bonecos fazem diferença. Que poderiam até, se quisessem,
expulsar os manipuladores de cena e nos salvar da sina da eterna
repetição, posto que são homens providenciais.
O bunraku japonês é muito mais honesto.
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
- Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!
- Não era pra mim não. Era pra vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as galinhas botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado.
- Os ovos da minha eu pintava.
- Que grande pilantra...
Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
Lembro-me como se fosse há oito bilhões de anos. Eu era uma célula
recém-chegada do fundo do miasma e ainda deslumbrado com a vida agitada da
superfície, e você era de lá, um ser superficial, vivida, viciada em amônia, linda,
linda. Nós dois queríamos e não sabíamos o quê. Namoramos um milhão de
anos sem saber o que fazer, aquela ânsia. Deve haver mais do que isto, amar
não deve ser só roçar as membranas. Você dizia "Eu deixo, eu deixo", e eu dizia
"O quê? O quê?", até que um dia. Um dia minhas enzimas tocaram as suas e
você gemeu, meu amor, "Assim, assim!". E você sugou meu aminoácido, meu
amor. Assim, assim. E de repente éramos uma só célula. Dois núcleos numa só
membrana até que a morte nos separasse. Tínhamos inventado o sexo e vimos
que era bom. E de repente todos à nossa volta estavam nos imitando, nunca
uma coisa pegou tanto. Crescemos, multiplicamo-nos e o mar borbulhava. O
desejo era fogo e lava e o nosso amor transbordava. Aquela ânsia. Mais, mais,
assim, assim. Você não se contentava em ser célula. Uma zona erógena era
pouco. Queria fazer tudo, tudo. Virou
ameba. Depois peixe e depois réptil, meu amor, e eu atrás. Crocodilo, elefante,
borboleta, centopéia, sapo e de repente, diante dos meus olhos, mulher. Assim,
assim! Deus é luxúria, Deus é a ânsia. Depois de bilhões de anos Ele acertara a
fórmula. "É isso!", gritei. "Não mexe em mais nada!"
— Quem sabe mais um seio?
— Não! Dois está perfeito.
— Quem sabe o sexo na cabeça?
— Não! Longe da cabeça. Quanto mais longe melhor! Linda, linda. Mas
algo estava errado. Não foi como antes.
— Foi bom?
— Foi.
— Qual é o problema?
— Não tem problema nenhum.
— Eu sinto que você está diferente.
— Bobagem sua. Só um pouco de dor de cabeça.
— No caldo primordial você não era assim.
— A gente muda, né? Nós não somos mais amebas.
E vimos que era complicado. Nunca reparáramos na nossa nudez e de
repente não se falava em outra coisa. Você cobriu seu corpo com folhas e eu
construí várias civilizações para esconder o meu. "Eu deixo, eu deixo — mas não
aqui." Não agora. Não na frente das crianças. Não numa segunda-feira! Só
depois de casar. E o meu presente? Depois você não me respeita mais. Você vai
contar para os outros. Eu não sou dessas. Só se você usar um quepe da
Gestapo. Você não me quer, você quer é reafirmar sua necessidade neurótica de
dominação machista, e ainda por cima usando as minhas ligas pretas. O quê?
Não faz nem três anos que mamãe morreu! Está bem, mas sem o chicote. Eu
disse que não queria o sexo na cabeça, Senhor!
— Nós somos como frutas, minha flor.
— Vem com essa...
— A fruta, entende? Não é o objetivo da árvore. Uma laranjeira não é
uma árvore que dá laranjas. Uma laranjeira é uma árvore que só existe para
produzir outras árvores iguais a ela. Ela é apenas um veículo da sua própria
semente, como nós somos a embalagem da vida. Entende? A fruta é um
estratagema da árvore para proteger a semente. A fruta é uma etapa, não é o
fim. Eu te amo, eu te amo. A própria fruta, se soubesse a importância que nós
lhe damos, enrubesceria como uma maçã na sua modéstia. Deixa eu só
desengatar o sutiã. A fruta não é nada. O importante é a semente. E a ânsia, é o
ácido, é o que nos traz de pé neste sofá. Digo, nesta vida. Deixa, deixa. A flor,
minha fruta, é um truque da planta para atrair a abelha. A própria planta é um
artifício da semente para se recriar. A própria semente é apenas a representação
externa daquilo que me trouxe à tona, lembra? A semente da semente, chega
pra cá um pouquinho. Linda, linda. Pense em mim como uma laranja. Eu só
existo para cumprir o destino da semente da semente da minha semente. Eu
estou apenas cumprindo ordens. Você não está me negando. Você está
negando os desígnios do Universo. Deixa.
— Está bem. Mas só tem uma coisa.
— O quê?
— Eu não estou tomando pílula.
— Então nada feito.
Mais, mais. Um dia chegaríamos a uma zona erógena além do Sol. Como
o pólen, meu amor, no espaço. Roçaríamos nossas membranas de fibra de
vidro, capacete a capacete, e nossos tubos de oxigênio se enroscariam e
veríamos que era difícil. Eu manipularia a sua bateria seca e você gemeria como
um besouro eletrônico. Asssssiiiim. Asssssiiiiim.
Um dia estaríamos velhos. Sexo, só na cabeça. As abelhas andariam a pé, nada
se recriaria, as frutas secariam. Eu afundaria na memória, de volta às origens do
mundo. (O mar tem um deserto no fundo.) Uma casca morta de semente, por
nada, por nada. Mas foi bom, não foi?
O Diabo odeia comer sozinho. Todas as noites recebe pequenos grupos para jantar no que chama
de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do Inferno, escolhendo entre as almas
condenadas as mais interessantes e de melhor papo. Os pratos são sempre grelhados e o vinho é
de produção local, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo mundo,
apesar de algumas desavenças. A Lucrécia Borgia, por exemplo, já tinha pedido para não ser
colocada perto da Eva Braun, pois não agüentava mais as queixas da namorada do Hitler de que
não merece estar no Inferno pois seu único pecado foi amar o homem errado.
Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no Inferno vem sendo
muito discutida. É, aliás, o assunto dominante nos jantares do Diabo, que confessa estar às voltas
com uma verdadeira rebelião de almas que pedem revisão de sentença e perdão retroativo. É o
caso dos que foram mandados para o Inferno por usura, no tempo em que era pecado.
E - como gosta de lembrar o Diabo, com um sorriso malicioso -, a Igreja ainda não inventara o
Purgatório justamente para acomodar os usurários, pois sem eles não haveria empréstimo a juros,
bancos e sistemas financeiros. Hoje, a usura não só é o que faz o capitalismo rodar como é o que
manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma
abominação aos olhos do Senhor. Até a Igreja tem bancos. E os condenados por usura no Inferno
perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje
enriquecem em vida sem o risco das suas almas penarem na morte, e à absolvição. Ou pelo menos
a um upgrade para o Purgatório.
O Diabo não costuma convidar usurários queixosos para a sua mesa, mas não pode prescindir da
presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à
comida, à companhia e à ausência de ar condicionado. E Wilde, que foi preso, execrado e
excomungado por homossexualismo, ao ficar sabendo da ordenação de um bispo gay pela igreja
anglicana esta semana, também passou a reivindicar uma imediata revisão do seu caso e
transferência para o céu. "Nada contra você, D", diz Wilde, "mas aposto que o vinho lá é melhor".
Não adianta o Diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos, que mudam, ou
da justiça divina, que não tem corregedoria. Wilde só promete epigramas cada vez mais pesados,
mas a gritaria dos indignados do Inferno aumenta.
Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o
primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma
de suas costelas e com ela fez a primeira mulher.
E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau
humor enquanto ele convalescia da operação.
Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação
estourado, fez o homem às pressas, pensando "Depois eu melhoro", e
mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou
Mulher, que é "melhor" em aramaico.
formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só
para não jogar barro fora.
foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre de
todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual.
kimono.
através dos classificados, podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de
massagem.
começou com a primeira ameba a sair do mar primevo, e é descendente
direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases
até atingir o seu estágio atual - e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda
sabe de onde veio.
macacos. A minha mãe, não!
evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?
especulação, claro) de outro planeta. Venho observando-as durante anos -
inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter
colecionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo.
são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra
galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar.
Têm uma lógica completamente diferente da nossa. Ultimamente têm
tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e
fazendo coisas - como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do
motorista ao lado - impensáveis há alguns anos, o que só aumenta
a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas
diferenças, que estavam começando a dar na vista.
preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então roçam a
nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como "ioink, ioink" que nos deixam
arrepiados e sem argumentos. Claramente combinaram isto. Estão sempre
combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são
alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra. É o que fazem
quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás
para ouvir.
incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para
transmitir instruções do Planeta Mãe. E têm seus golpes baixos. Seus
truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros,
suas bocas. Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles
mísseis inteligentes. Aquela curva suave da coxa quando está chegando
no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso! E as armas químicas -
perfumes, loções, cremes.
seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo. Breve saberemos o que elas querem. E depois
de sair este artigo eu for encontrado morto com sinais de ter sido
carinhosamente asfixiado, com um sorriso, minha tese está certa.
As pessoas acharam graça. Juventina adorava novelas. Via todas. E estava sempre comentando a
vida dos personagens como se fossem reais. Mas neste caso havia, mesmo, algumas coincidências
curiosas. Fora o nome, a personagem se parecia muito com a Juventina. Se parecia demais. O
mesmo jeito, a mesma origem nordestina, a mesma história familiar...
Um dia, depois que a personagem falou na mãe costureira e viúva que deixara na sua cidade natal
e não via há cinco anos, Juventina atirou as mãos para o alto e exclamou:
- Meus santos, essa sou eu!
Juventina dizia muito "meus santos". Foi, aliás, depois do capítulo em que, no fim de uma briga
com o irmão safado, a personagem da novela atirou as mãos para o alto e disse "Meus santos, me
acudam!" que todos concordaram: a Juventina deveria fazer alguma coisa a respeito daquilo.
A personagem era ela sem tirar nem pôr!
* * *
Mas fazer o quê?
- Procure a televisão. Eles estão roubando a sua vida - disse alguém.
- Isso é plágio - disse outro.
Mas procurar a televisão, como? Escrevendo uma carta? Milhares de pessoas, provavelmente,
escreviam para a televisão, dizendo que eram iguais a personagens de novelas. E ela não podia
simplesmente bater na porta da televisão, pedir para falar com a direção e dizer "Parem de me
copiar". Foi quando a lembraram que novelas tinham autores.
Eram os que inventavam as histórias e os personagens. Talvez o autor da novela fosse um
conhecido seu, que soubesse da sua vida e a estivesse aproveitando no enredo. "Mas por quê?
Minha vida é tão sem graça" disse a Juventina. Não era tão sem graça assim. Ela podia não se dar
conta, mas era uma pessoa interessante, com uma vida interessante. Uma vida que, obviamente,
inspirara o autor. Mas ela não identificava o nome do autor. Jamais conhecera um autor do que
quer que fosse. Viu sua fotografia numa revista, recebendo um prêmio, e também não o
identificou. Não importava. Juventina precisava procurá-lo e tirar aquilo a limpo. Onde já se vira,
usar a vida de uma pessoa assim, sem pedir licença?
* * *
Foi tão difícil a Juventina chegar ao autor como fora dificil para a personagem, que era do núcleo
pobre da novela, chegar ao núcleo rico. Finalmente, através do cunhado de uma prima (sempre há
o cunhado de uma prima) que conhecia alguém cujo irmão tinha algo a ver com um fornecedor da
televisão, Juventina foi recebida pelo autor. Que foi muito simpático. Sacudiu a cabeça e disse
"Que coincidência!" quando a Juventina contou que a personagem era ela sem tirar nem pôr. E
assegurou que era tudo isso mesmo. Coincidência.
- Mas de onde o senhor tirou a mãe viúva e costureira que eu deixei no Nordeste e não vejo há
cinco anos?
- Da minha cabeça.
- E o meu arroz com carne de sol com a salsa em cruz pra dar certo?
- Da minha cabeça.
- E o irmão safado que me rouba dinheiro?
- Da minha cabeça.
- E a minha mania de dizer "Meus santos"?
- Taí. Pensei que eu é que tivesse inventado essa expressão.
Juventina não sabia mais o que dizer. O autor sorriu e observou que vidas parecidas com a dela
existiam muitas, as coincidências não eram assim tão espantosas. E, mesmo, ela não precisava
mais se preocupar.
A personagem morreria num capítulo próximo.
* * *
Juventina já estava no elevador quando resolveu voltar. Bateu na porta do autor e, quando ele
abriu, perguntou:
- Como?
- Como o quê?
- Como ela vai morrer?
- Ainda não decidi.
- O senhor ainda não escreveu a cena?
- Não.
- Eu posso entrar de novo?
* * *
A única coisa que Juventina disse, àquela noite, quando a televisão deu a notícia da morte
misteriosa do autor, golpeado na cabeça com um prêmio que recém recebera por um
desconhecido, dentro do seu apartamento, foi:
- Meus santos, o que que é isso?
No dia seguinte, viajou para o Nordeste, dizendo que precisava rever a sua mãezinha e talvez não
voltasse tão cedo.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia..
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E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!
"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".
No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:
- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !
Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.
A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?
No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."
O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".
